quarta-feira, 26 de agosto de 2009

HISTÓRIA , VIDA E CIÊNCIA


HISTÓRIA , VIDA E CIÊNCIA
"Na convivência com os nossos semelhantes, verificamos todos os dias que somos incapazes de ver o outro objetivamente, mas sempre através da lente da história de nossa própria vida. Nossa lente está embaçada pelas experiências traumáticas que tivemos,.. (…) …não conseguimos mais distinguir claramente por que estamos tão emaranhados."
Anselm Grün escreveu estas idéias acima. Ele é autor de "O livro da arte de viver" pela editora Vozes.
Pelo menos nos dois primeiros anos do curso de história lá na USP ficávamos lendo um monte de autores sobre o suposto distanciamento do cientista de seu objeto de pesquisa. De 1987 a 1989. A reflexão servia para, de alguma forma, sermos neutros, ou, não sendo possível, entendermos nossa incapacidade objetiva de sermos neutros.
Mais tarde, dois colegas meus fizeram pós graduação. Um, com o qual não cheguei a ter proximidade, Marco Antonio Villa, pesquizou Pancho Villa no mestrado. Outro, de quem sou amigo até hoje, José Rodrigues Mao, pesquisou Mao Tse Tung e escreveu um livro sobre a China.
O que me chamou a atenção foi a semelhança entre pesquisador e objeto de pesquisa: Villa-Villa, Mao-Mao. Claro que é só um detalhe que não pode ser generalizado. Porém, um historiador, muito mais experiente e mais velho que eu ou que o Villa ou o Mao, o Fernando Novaes, disse certa vez, em um evento que a USP fez no bi-centenário da Revolução Francesa em 1989: 'será que existe alguma história que não seja teleológica?' Esta frase queima meus poucos neurônios até hoje. Traduzindo, será que a escrita da história não é sempre algo já concebido previsível, já que conceitos adquiridos à priori são empregados inevitavelmente? Veja que a investigação pura fica comprometida no seu nascedouro. Karl Popper dizia que A ciência não é um sistema de enunciados certos ou bem estabelecidos, nem é um sistema que avance continuamente em direção a um estado de finalidade. Nossa ciência não é conhecimento (episteme): ela jamais pode proclamar haver atingido a verdade ou um substituto da verdade, como a probabilidade.
Entrei nesse papo ‘científico’ porque escrevi este texto antes de um compromisso que tinha de conversar com o amigo Mao. Veja minha teleologia! Acho que a verdade única de Sócrates ‘ só sei que nada sei’ é o máximo a que podemos chegar. Isto acreditando que exista uma verdade maior e única. Se não existir, apaga o sócrates e vamos de Nietzsche com as variabilidades das verdades.
Paulo Freire dizia que ‘ a cabeça pensa de acordo com o lugar em que os pés pisam.’ Por isso vemos o outro sempre através da lente da história de nossa própria vida. Dá para nos distanciarmos da nossa dor ou de nossa alegria ? Por isso, nada de ser carrancudo ou nos aferrarmos em paradigmas irremovíveis. Uma geléia geral, não, mas uma busca sincera e por vezes quixotesca, dizendo sim para a vida. Já a História e a ciência, bem...alguém tem alguma sugestão?

Um comentário:

  1. Acho interessante esta sacada de o cara ter um nome e estudar sobre um personegem histórico com o mesmo nome. Parece com a atração gravitacional. Um astro atrai o outro.

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