segunda-feira, 31 de agosto de 2009

A VIRTUDE - O INSTANTE DE CORAGEM.


O QUE É A VIRTUDE?
A suprema dádiva humana é o livre arbítrio. Temos escolha! Para alguns é mais difícil e para outros é mais fácil fazer a escolha e agir. As dificuldades se explicam através de pelo menos três coisas: o peso genético, explicado por Darwin, Freud nos explicou sobre o peso do inconsciente e Marx, o peso dos modos de produção. Nenhuma destas pesadas categorias são condicinantes absolutas. Quanto mais difíceis as condições, maior o valor da escolha por causa da coragem agregada a ela.
Falar da coragem é fácil. Difícil é tê-la!
A maioria dos corajosos só o são quando estão em alguma condição de vantagem. A certeza de alguma contrapartida não retira o valor das atitudes como um todo, mas com certeza retira a virtude. Estou em busca desta coisa mágica que é a virtude.
Muitos bandidos esculhambam suas vítimas porque estão armados. Sem a arma seriam meros covardes.
Muitos ‘corajosos’ chamam o outro para a briga por ninharia porque estão em vantagem: porque têm mais músculos ou porque dominam alguma técnica de luta marcial. Muitos chefes oprimem seus subordinados por se sentirem ofuscados em seu cargo e na sua vaidade e interesses escusos.
Muitos pedem demissão de seus empregos quando já tem outro pré-arranjado. Está perdendo algo mas com a certeza de ganhar por outro lado.
Há ainda o temerário. Aquele que não tem noção do perigo. Não é um corajoso em si. É alguém que beira à extinção porque é destituído de medo. Vai enfrentar um leão e é comido por ele. Este não arrisca nada porque nem sabe o risco que corre.
Como dizia André Comte-Sponville , há os que "... se fazem de corajosos porque o risco é para ser corrido daqui a dois anos, e morrem de medo quando estão cara a cara e nariz a nariz com o perigo".
Vi coragem de verdade em poucas vezes na minha vida. Uma delas foi a dos metalúrgicos do ABC em 1980. Os diretores do sindicato tiveram coragem, mas não falo tanto dos diretores do Sindicato, porque estes, na maioria, já eram quadros políticos e estavam, de certa forma, mais seguros. Não arriscavam tanto quanto os trabalhadores comuns. Falo mais destes, dos trabalhadores comuns que arriscaram tudo sem garantia alguma de qualquer contrapartida. Estive por lá e vi que aquele gesto, aquela atitude foi mais que uma ação política dos cidadãos. Foram momentos mágicos desencadeados pela virtude. Assim falava Goethe: “...existe uma verdade elementar: no momento em que nos comprometemos, a Providência também se põe em movimento. Todo um fluir de acontecimentos surge a nosso favor. Como resultado da decisão, seguem-se todas as formas de coincidências, encontros e ajuda, que nenhum homem jamais poderia ter sonhado encontrar. Qualquer coisa que você possa fazer ou sonhar, você pode começar. A coragem contém, em si mesma, o poder, o gênio e a magia."
Que acrobacias mentais teremos que fazer usando a história, a sociologia, a filosofia e a política para explicarmos como, depois de 500 anos começamos a realizar no Brasil o sonho de todos os excluídos?
Não vou entrar em contradição e falar em uma verdade absoluta entre nós. Vou finalizar esta reflexão com o que entendi de “O Processo” de Kafka: há pelo menos uma porta para saímos dos nossos problemas e ela está na nossa frente. Atravessá-la depende só de nós mesmos . Sartre dizia que a epifania, isto é, um entusiasmo repentino, em outras palavras “baixou o santo” ou seja a manifestação concreta de um poder além do homem, é enfim, com diz Sponville, o instante de coragem é o ponto de tangência entre o presente e o futuro do homem. Mais ainda, a frase que Lula cita invariavelmente, que ele leu no banheiro de uma fábrica, certamente escrita por um trabalhador comum é: mais vale as lágrimas de uma derrota, do que a vergonha de não ter lutado. Veja quem escreveu a partitura para o maestro.
Abraços
Aldo

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

POR UMA HISTÓRIA E UM DESTINO INSÓLITO


POR UMA HISTÓRIA E UM DESTINO INSÓLITO

Pessoal, existe alguma solução para os problemas da civilização? Fui estudar história para que diante dos problemas da vida tivesse referências de casos semelhantes do passado para entendê-los e solucioná-los melhor. Isto é difícil porque uma coisa é a reflexão e outra é a vida prática. Poucos conseguiram reunir estas duas características ao mesmo tempo. Até Marilena Chaui, com toda a sua capacidade intelectual, disse no programa Roda Viva, da TV Cultura que quando era secretária da educação da Cidade de São Paulo, com a Prefeita Erundina, ela não foi intelectual devido à rapidez que as decisões políticas têm que ser tomadas. Ou é acadêmica ou administradora.
Historicamente já tivemos santos na política. Não no Brasil. Não falo "os santos" até que se tornem anjos caidos como existem no parlamento. Lá é mais fácil ser imaculado até que caiam em desgraça por qualquer motivo que queira a imprensa, nosso quarto poder. Falo de caras íntegros no executivo. Aqui está o dinheiro e todos os problema de governabilidade possíveis. Além de Salvador Allende, considero, no plano público, como íntegro até o fim, o primeiro presidente eleito na Argentina pelo sufragio universal, Hipólito Yrigoyen, em 1916. Foi o governo de nossos sonhos e primeiro da UCR - União Cívica Radical. Criou a YPF - Yacimientos Petrolíferos Fiscales - uma reguladora da exploração petrolífera, pautou-se na ética, criou a marinha mercante, fez uma reforma universitária, etc. Foi ótimo e fez o sucessor Marcelo Avelar que governou de 1922 a 1928. Com este governo criou-e uma cisão na UCR. Hipólito Yrigoyen foi reeleito em 1928, mas sofreu um golpe de Estado em 1930, em plena crise mundial. Olha só: os principais culpados foram os opositores da própria UCR surgidos no governo Avelar. Foram golpes e ditaduras sem fim até 1983 quando a UCR voltou, 53 anos depois, com Raul Alfonsin. Vejam como teoricamente a história Argentina é simples. Existiu o antes e o depois da UCR. Penso na Argentina mas estou de olho no nosso Brasil. Temos 500 anos de história para mudar e não é, e não será fácil.
Estive lembrando do início da nossa cultura ocidental. Sócrates, que pode ter sido um personagem real ou um heterônimo criado por Platão, não importa. Importa que seu martírio foi emblemático. Entre as acusações, a principal era a de corromper a juventude. Ocorre que em seu método dialético com sua lógica perguntativa ele questionava qualquer coisa, especialmente as verdades "absolutas". Os jovens, mais abertos a mudanças seguiam-no por vontade própria e não aceitavam a verdade dos chefões ou governantes só por causa de sua reputação. Descobriam que os de mais reputação eram os mais desprovidos de capacidade porque estavam em situação confortável e não precisavam se esforçar para obter crédito. Os considerados ineptos, eram, na verdade, homens mais capazes quanto à sabedoria. Em "Apologia de Sócrates", Platão dá sua versão sobre Sócrates contrapondo-se à ridicularização de Sócrates feita em "As Nuvens" de Aristofanes.
No fim Sócrates, na letra de Platão diz, na forma que me lembro: 'não sou dono da verdade, apenas discuto a verdade. Não participo da assembléia e não sou político e sou condenado à morte pela política. Imagine se participasse. Já estaria morto muito antes.' Voltando à indagação inicial, não dá para admitir a condenção de Jesus e a absolvição de Barrabás.
Administramos a crise capitalista. Gostaria que fosse diferente. Porém, estamos avançando. Com passos curtos é outra verdade. O PT chegou lá e não é como outro partido qualquer. Colocou o dedo na ferida em toda as instancias. Não vamos deixar ninguém esquecer os furos. Ousamos querer lutar e ousamos querer vencer. Gente ruim tem pra todo lado. Precisamos ter um ponto de partida. Uma vez tive um aluno coreano num cursinho pré-vestibular que me disse: na Coréia pensamos que não podemos parar de furar um poço depois de ter ido tão fundo, porque podemos estar há centímetros da água.
Por favor, escrevi tudo isso para dizer que o regime democrático tem uma falha e uma virtude imanente: o Homem. Acredito que podemos ser melhores.

Um mundo melhor é possível!
abraço
Aldo

SE O INIMIGO VENCER, ATÉ OS MORTOS ESTARÃO EM PERIGO!

AMIGOS,
SE O INIMIGO VENCER, ATÉ OS MORTOS ESTARÃO EM PERIGO!

Segundo o Evangelho, Jesus, do alto da cruz falou: perdoe-os, pai, eles não sabem o que fazem. Por favor, não me des-creditem por esta citação. Porém, hoje, conhecendo alguns males da mente humana e o papel do fetichismo das idéias repetidas muita vezes, peço a Jesus: tenha pena de nós. Permita-nos sair deste imbróglio. Por isso sempre digo que a militância do PT, inclusive os dirigentes, carecem de formação.
Quando falo de formação, não falo só de conhecimento histórico. Falo também da reflexão filosófica que muitos acham inútil, inclusive alguns formadores sindicais, por ignorância. É preciso ter coragem para quebrar paradoxos do senso comum “científico”. Por exemplo, duas paralelas realmente nunca se encontram, mas, se as olharmos em perspectiva, como os dois lados de uma estrada, veremos elas se encontrando no horizonte. É uma virtualidade lida como concreta por nossa mente. Portanto, quem disse que nos movemos cientificamente? Por milênios o homem achou que a Lua era do tamanho de uma moeda, até o telescópio chegar. O desejo é definidor da relações humanas cotidianas. O MARKETING percebeu isso há tempos e nos faz de marionetes controlando nossa liberdade. Por isso, Gramsci inovou o marxismo com seu conceito de HEGEMONIA. Gramci explica que a última instância real da luta de classes é a economia como está na “Introdução para a crítica da economia política”. Porém, o fator decisivo é a questão cultural ( comunicações, educação, etc). O campo de batalha é mais virtual do que concreto.
Hoje é este o enigma que precisa ser decifrado ou seremos devorados: alianças x governabilidade. Acho que o emaranhado em que estamos era previsível e os fortes ganharão a batalha. Esta é a única certeza. Os fortes são os que bebem da força do movimento social e mantém-se ligados às instituições decisivas do povo. Vejam bem: PODE SER OS DO BEM OU OS DO MAL. Nada está decidido. O que importa é ser sincero mesmo que em posição minoritária. Quem errar estará de cabeça erguida para renascer da cinzas. É fantástico o posicionamento do Frei Betto. Saiu do governo mas está com o povo e continua sendo propositivo. Ele diz, em “A Mosca Azul” pág. 179- Maquiavel dizia que o governante deve governar com o povo e não com os grandes. Quando desgostoso o povo abandona o governo. Os poderosos abandonam e se vingam. É aí que reside a tese de Lênin de destruir o Estado vigente em sua lógica perversa, e, sobre seus escombros erguer outro. Então, o que é governar com o povo? Quem estará certo hoje no cenário que se desenvolve neste campo de batalha chamado comunicação social? O teatro dos udenistas do PSDB e do DEM ou Lula novamente em defesa dos avanços na distribuição de renda e dos rendimentos futuros dos investimentos de hoje no PRE-SAL? As lições do período da morte de Getúlio Vargas estão aí. Cuidemos do Brasil e do companheiro Lula.
* Permitam-me humildemente recomendar, para o que ainda não assistiram, ao filme “Os 12 jurados” com Jack Lang. É uma discussão sobre a verdade e o íntimo de cada um.

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

HISTÓRIA , VIDA E CIÊNCIA


HISTÓRIA , VIDA E CIÊNCIA
"Na convivência com os nossos semelhantes, verificamos todos os dias que somos incapazes de ver o outro objetivamente, mas sempre através da lente da história de nossa própria vida. Nossa lente está embaçada pelas experiências traumáticas que tivemos,.. (…) …não conseguimos mais distinguir claramente por que estamos tão emaranhados."
Anselm Grün escreveu estas idéias acima. Ele é autor de "O livro da arte de viver" pela editora Vozes.
Pelo menos nos dois primeiros anos do curso de história lá na USP ficávamos lendo um monte de autores sobre o suposto distanciamento do cientista de seu objeto de pesquisa. De 1987 a 1989. A reflexão servia para, de alguma forma, sermos neutros, ou, não sendo possível, entendermos nossa incapacidade objetiva de sermos neutros.
Mais tarde, dois colegas meus fizeram pós graduação. Um, com o qual não cheguei a ter proximidade, Marco Antonio Villa, pesquizou Pancho Villa no mestrado. Outro, de quem sou amigo até hoje, José Rodrigues Mao, pesquisou Mao Tse Tung e escreveu um livro sobre a China.
O que me chamou a atenção foi a semelhança entre pesquisador e objeto de pesquisa: Villa-Villa, Mao-Mao. Claro que é só um detalhe que não pode ser generalizado. Porém, um historiador, muito mais experiente e mais velho que eu ou que o Villa ou o Mao, o Fernando Novaes, disse certa vez, em um evento que a USP fez no bi-centenário da Revolução Francesa em 1989: 'será que existe alguma história que não seja teleológica?' Esta frase queima meus poucos neurônios até hoje. Traduzindo, será que a escrita da história não é sempre algo já concebido previsível, já que conceitos adquiridos à priori são empregados inevitavelmente? Veja que a investigação pura fica comprometida no seu nascedouro. Karl Popper dizia que A ciência não é um sistema de enunciados certos ou bem estabelecidos, nem é um sistema que avance continuamente em direção a um estado de finalidade. Nossa ciência não é conhecimento (episteme): ela jamais pode proclamar haver atingido a verdade ou um substituto da verdade, como a probabilidade.
Entrei nesse papo ‘científico’ porque escrevi este texto antes de um compromisso que tinha de conversar com o amigo Mao. Veja minha teleologia! Acho que a verdade única de Sócrates ‘ só sei que nada sei’ é o máximo a que podemos chegar. Isto acreditando que exista uma verdade maior e única. Se não existir, apaga o sócrates e vamos de Nietzsche com as variabilidades das verdades.
Paulo Freire dizia que ‘ a cabeça pensa de acordo com o lugar em que os pés pisam.’ Por isso vemos o outro sempre através da lente da história de nossa própria vida. Dá para nos distanciarmos da nossa dor ou de nossa alegria ? Por isso, nada de ser carrancudo ou nos aferrarmos em paradigmas irremovíveis. Uma geléia geral, não, mas uma busca sincera e por vezes quixotesca, dizendo sim para a vida. Já a História e a ciência, bem...alguém tem alguma sugestão?

O RADICALISMO

O RADICALISMO

"Em vez de serem apenas bons, esforcem-se para criar um estado de coisas que torne possível a bondade. Ou melhor, que a torne supérflua!
Em vez de serem apenas livres, esforcem-se Para criar um estado de coisas que liberte a todos e também o amor à liberdade torne supérfluo!" Brecht
Quero lembrar também uma frase de Bernardo de Chartres, do século XII de que "somos anões sobre os ombros de gigantes". A visão sobre os ombros de gigantes nos dão os mais profundos saberes acumulados por nossa civilização ocidental como a tragédia. A tragédia surgiu na Grécia no final do século VI a.C. e, nela, a idéia de "capricho dos deuses". Esta idéia está entranhada em nós até a raiz dos nossos cabelos. O momento histórico da tragédia foi o encontro entre o mito e a razão, quando entram em conflito e preparam a vitória da razão. Foi a transição do homem trágico para o homem dramático. Da subordinação aos caprichos dos deuses para o homem de ação, cidadão político responsável por seus atos. A decisão trágica se dá entre os desígnios dos deuses e os projetos ou as paixões dos homens. A tragédia, portanto, exprime o debate entre o passado mitológico e o presente da pólis, ou cidade. Estou numa fase de reflexão que mistura os porquês e os como fazer. Exatamente como na transição da tragédia para o drama - palavra grega que significa "ação". Todo drama tem seu lado inovador por buscar saídas com base na capacidade das ações humanas mas também de farsa quando se repete, como nos dizia Marx: "a história se dá como tragédia e depois repete-se como farsa". Cabe a nós, simples mortais, passíveis de nos dobrarmos aos encantos dos deuses mas também capazes de nos esforçarmos para desafiá-los e vencê-los em seus caprichos. Precisamos do mito, ouso dizer, precisamos dos deuses para não perdermos o encanto da vida. Colocar-mo-nos diante da razão e do mito como quem se doa à vida mesmo que isto signifique riscos no desafio, porque o premio é uma relação fantástica com o mundo.
Abraços
Aldo

AS DESIGUALDADES E AS RAIZES DO PRECONCEITO



AS DESIGUALDADES E AS RAIZES DO PRECONCEITO
O que é o preconceito? É um conceito estabelecido a priori, isto é, antes de uma reflexão amadurecida. Lembro-me do posicionamento de um cardeal da Igreja Católica sobre o controvertido filme: 'Je vous salue Marie' - Eu vos saúdo Maria, de 1985, um filme franco-suiço, de Jean-Luc Godard que conta como seria, modernamente, o nascimento de Jesus Cristo. O cardeal disse, na TV, “não vi e não gostei”. Há fundamento filosófico na posição do cardeal. Trata-se da idéia metafísica da verdade absoluta e do universalismo da Igreja. É o acessório que acompanha esta posição filosófica – o exclusivismo acerca da verdade. A verdade absoluta tem dono! Os católicos, os evangélicos, alguns visionários utópicos e todos os que se proclamam portadores da verdade. Acontece que este posicionamento explícito destas agremiações estão embutidos e formatados na mentalidade nossa – ocidental – e aparece nos momentos mais cotidianos. Está no comportamento cruel de depreciar, adjetivar negativamente ou humilhar o outro devido a suas diferenças.
Vamos voltar para o chão! Chamamos de traidor quem não defende os mesmos princípios que nós na política. Chamamos de cabeça chata o nordestino, de ladrão o negro, de vadio o índio e etc. Por vezes, estes também reiteram o mesmo vício desqualificando os outros.
Vou fazer um exercício de reflexão baseado no livro “A origem da família, da propriedade privada e do Estado” de Engels, sem lero-lero sobre suas referências bibliográficas.
É pré-histórico o surgimento do patriarcalismo, quando o homem passa a subjugar a mulher. Nas palavras de Marx, “a exploração do homem pelo homem iniciou-se com a exploração da mulher pelo homem.” Enquanto não havia diferenciações sociais e econômicas, as diferenças de gênero não eram sentidas de forma excludente. Eram fundadas apenas na diferenciação fisiológica entre os gêneros masculino e feminino. Com a desigualdade social, surgida da apropriação dos bens de uns por outros, as aparências e os comportamentos diferenciados passam a ser arma de guerra. Algumas da características físicas das pessoas são as seguintes: no homem são as da força, velocidade e foco, necessárias para a caça e a guerra e nas mulheres a tenacidade, mentalidade civilizatória, a visão ampla para organizar o ambiente, maciez da pele e voz de veludo para acolher o nenê, acalmá-lo e protegê-lo em seu aprendizado. Isso, em uma sociedade excludente e desigual, reveste-se de uma importância que originalmente não teria se não houvesse a desigualdade social, fonte da injustiça material e causador da falta de liberdade. O mesmo verificamos na nossa “democracia regional-racial”. Caracterizar alguém de nordestino em São Paulo é motivo para que, um candidato a pleito eleitoral não tenha votos da parcela paulista preconceituosa, mesmo que o candidato seja excelente. Lula e Genoino foram exemplos clássicos disso. O racismo que as cotas para negros vem, em parte reparar, tem sua razão de ser neste contexto. No final do século XIX e no XX, uma avalanche de ex-escravos passaram a pleitear um lugar ao sol da cidadania. As elites brancas fizeram reserva de mercado utilizando-se do preconceito como arma de guerra cultural que encobria uma guerra social e econômica. Manter a desigualdade foi a razão para serem criados os estigmas que povoam o linguajar preconceituoso. As raízes do preconceito, portanto, remontam a um problema maior causador de todos os outros: a desigualdade.
Abraços
Aldo
Um mundo melhor é possível!

terça-feira, 25 de agosto de 2009



OS PARTIDOS
Amigos,
Comecei este blog porque tenho muitas preocupações. Pensei que talvez alguém me ajudasse a entendê-las e solucioná-las.
A primeira questão e preocupação é a de termos dirigentes políticos que fazem coisas como as descritas em "Coronelismo, enxada e voto". Acho que a administração em geral e a pública em particular é um pilar que deve ser fortalecido .
Frei Betto, no incrível livro “A mosca azul” , faz um desabafo e cita, na página 94, uma série de desvios dos militantes no PT. Veja só:
1. economicismo: lutar só por conquistas econômicas imediatas
2. politicismo: querer impor o discurso como se seu dialeto revolucionário fosse sinônimo de prática revolucionária.
3. colonialismo: autodenominar-se vanguarda do proletariado
4. esquerdismo: exigir do partido declarações ou posições que não se coadunam com seu caráter legal ou sua natureza popular.
5. voluntarissmo: querer caminhar mais depressa que o movimento social.
6. eleitoralismo: reduzir o PT a trampolim para projeção política ou cargo eletivos.
7. burocratismo: quer o partido organizado mas sem bases populares.
8. oportunismo: põe um pé dentro do PT e um pé fora, pronto pra correr se suas intenções não são aceita pelo trabalhadores.
Lula, na comemoração dos 50 anos do Sindicato dos Metalúrgicos, criticou as barreiras que certos dirigentes mais antigos fazem para não deixar os mais novos se formarem e assim almejarem a direção. Manter-se firme no PT no meio da tempestade é um desafio mas, até agora, ele tem sido a instituição mais confiável no rumo das transformações que nosso povo precisa. Vamos ter que investir em tornar nossa organização algo melhor. Se falharmos, passarei a achar que o caminho não é o partidário. Será outro caminho a ser pensado. Lembro-me quando a ditadura liberou a liberdade partidária para as eleições de 1982. Com meus 22 anos, vi os inúmeros novos partidos e a febre de candidatos independentes. Quem sabe nosso sistema partidário, que é uma evolução dos velhos clubes políticos franceses, do tipo jacobino e girondino, já esteja na hora de também ser substituído por algo mais livre e mais verdadeiro. Os partidos passaram a ter um caráter mais democrático com as exigências de inclusão dos trabalhadores a partir da Revolução Industrial, dizia Robert Michels - Partidos Políticos (1949). Ao articular os interesses classistas, a competição eleitoral e a necessidade de democracia interna - contemplar a classe, o eleitor e o militante - o partido se perde. Se faz bem uma coisa deixa a dever na outra. Este é um vácuo que até hoje ninguém preencheu satisfatoriamente.