sexta-feira, 11 de setembro de 2009

O QUE O BRASILEIRO MAIS DESEJA?


Tem algo grave e terrível sob as aparências 'cordiais' dos brasileiros.
O PNUD - Programa das Nações Unidas para o Deenvolvimento fez uma pré-pesquisa no Brasil consultando 500 mil pessoas sobre “O que deve mudar no Brasil para sua vida melhorar de verdade?”.
O resultado é que acima de educação, saúde e emprego estão a falta de respeito, honestidade, amor, responsabilidade e de virtudes similares.
Pensei no seguinte: o Brasil nunca teve uma insurreição de fato e muito menos uma convulsão social generalizada que pudesse ser chamada de revolução. No entanto, guarda uma violência em suas entranhas. Basta ver a violência doméstica, o descaso com as crianças de rua, o descaso com as favelas e com os trabalhadores, semelhantes ao descaso do mundo com a África.
Essa panela de pressão, já no limite há muito tempo, pode ser observanda nos esportes, uma das formas mais espontâneas de expressão de um povo. Nós brasileiros somos muito bons nos esportes por equipes ou coletivos – futebol e vôlei – isto reforçaria a idéia de que o povo brasileiro é cordial. Um detalhe destoa disto quando olhamos para os esportes marciais (de lutas). Aí podemos visualizar um sintoma dos males internos do Brasil. Nas lutas COM REGRAS os brasileiros são apenas médios ou ruins. Veja o boxe e as outras lutas olímpicas. Contamos nos dedos os expoentes – não qualquer 'campeão'. Neste nível tivemos só o Eder Jofre, nos anos 60, até hoje. Olhemos, no entanto, para as lutas de VALE TUDO. Os brasileiros reinam! Ali a violência é total e indiscriminada. Não critico o esporte, os que gostam tem direito. Nesta modalidade um lutador pode pisar na cara do lutador que está caido até o juiz perceber que desmaiou mesmo. Veja no YOUTUBE! As lesões, às vezes, são profundas e morrem muitos lutadores antes dos 30 anos o tempo todo. Já vi morrerem 3 dos melhores. Podemos nos perguntar: de onde vem tanta agressividade? Porque ela prospera no Brasil? Semelhante ao futebol que prospera em qualquer campinho de várzea, multiplicam-se também as academias e CLUBES DA LUTA de vale tudo às vezes chamado de free style, UFC, PRIDE FC, etc. Tudo isso sem contar as outras modalidade de lutas e as rodas de capoeira que canalizam a agressividade de parte da sociedade. Isto reflete os dados da predominância dos homicícios, como a maior causa de mortes entre jovens.
Minha hipótese, sinceramente é a de que essa violência caótica contida entre nós vem da nossa história passada e presente de massacre das elites contra os excluidos.
Claro que não é só no Brasil. O que acontece na França é bem simbólico. Na França, hoje, 14/07/2009, dia da Revolução Francesa, a população queimou mais de 300 carros e aterrorizou as elites como há 200 anos atrás na Revolução Francesa.
Como nossos avós e pais, nós brasileiros ficamos engolindo desaforos da nossa elite composta por políticos, empresários, intelectuais e "alguns sindicalistas", porque elite não é só quem tem dinheiro, mas quem tem o poder de influenciar.
Alguém, no passado já disse que não dá para mudar a coisas pensando em um só país. Hoje isto é muito mais correto porque os governos se alinham em torno de alguma hegemonia que hoje é, em parte, o consenso de Washington, sem falar na globalização econômica.
Ficamos nos esgoelando metendo o pau no político X ou no Y, olhando apena no varejo. Vemos a árvore mas não vemos a floresta. A midia vi colocando seus desafetos, um após outro no foco da crítica e seguimos atrás criticando como papagaios. A midia direciona nossos desejos para o que ela, ideologicamente, enquanto representante das elites considera ser o desejo nacional. O brasileiro quer o Brasil para si. Estamos abertos para o mundo mas não podemos ficar de joelhos!Neste sentido, na atualidade, podemos, como brasileiros começar exigindo através de velhas frases: 'o petróleo é nosso', 'a amazônia é nossa', 'a agua é nossa', 'as crianças daqui são nossas', 'o nosso voto é nosso', etc. É esta a honestidade desejada. Somente colocando as coisas neste devido lugar teremos paz.
Abraços
Aldo

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